27.8.16

CHP RARIDADES


Essa semana, o diretor Pedro Almodóvar revelou que sua versão do conto ''Brokeback mountain'' teria muito mais homossexo que o filme de 2005, de Ang Lee. O diretor estava planejando adaptar o conto, porém, Ang Lee foi mais rápido. Ceeerto, homossexo, o público ficou chocado, em 2005, com aquela ''ceninha'' e muitos críticos disseram que ''Hollywood finalmente amadureceu''.
Mas sabe de uma coisa? Trinta e cinco anos antes de BBM, surgiu um filme gay com dois cowboys apaixonados. E tinha nudez frontal, homossexo (do tipo carinhoso), beijo na boca, homorromance ... e o ano era 1970.

SONG OF THE LOON nunca foi lançado em dvd, nem sequer existe uma cópia restaurada. Ele foi exibido nos tais cinemas gays clandestinos norte americanos e depois migrou para a televisão tarde da noite. É um filme que corre risco de extinção. Tem um diretor amador, atores amadores, é uma produção de baixíssimo orçamento, a trama tem alguns problemas, mas a intenção foi boa, o filme está bem a frente de seu tempo.

Estamos em 1870, o jovem Ephraim está cruzando o velho oeste. Ele está fugindo do ex namorado violento. E ele também está sexualmente confuso, não vê muito sentido na monogamia entre homens. Tudo bem, ele está indo atrás de um xamã que vai lhe proporcionar uma viagem espiritual que deverá acabar com todas as suas dúvidas.

No meio do caminho ele encontra um homem chamado Cyrus, que se apaixona por Ephraim. O rapaz não poderá viver feliz para sempre com Cyrus enquanto não tiver sua ''viagem espiritual sexualmente autoexplicativa''. Ele se despede de Cyrus e continua sua jornada.

Não existem mulheres no filme e todo homem que aparece na tela é gay (que planeta é esse???), Ephraim pode estar confuso, mas nesse mundo a homossexualidade é a coisa mais comum que existe. Todos os índios do filme são homens brancos com a pele pintada, isso ficaria beeeem evidente num dvd. Um texto adicional, no final do filme, meio que tira a graça do happy end, e o vilão nem sequer ganha um desfecho satisfatório. Mas como eu disse antes, valeu a intenção.

26.8.16

PRIMEIRA IMPRESSÃO

 Ewan McGregor e Ian McKellen

Luke Evans é Gaston, de costas

Dan Stevens é a Fera

blu-ray - MOGLI, O MENINO LOBO


Não sou muito fã dessa moda da Disney de fazer versões em live action dos desenhos clássicos. Ok, o filme dos dálmatas, com a Glenn Close, foi legal, Cinderela foi bonitinho, mas Malévola me deixou decepcionado. Agora, Mogli, o menino lobo, esse sim é um ótimo filme. Feito por fãs para os fãs, tem um pouco do livro de Kipling, um pouco do desenho animado de 1967, e consegue superar os dois, tem a boa e velha magia Disney presente neste filme.
Um único ator, um menino de 10 anos, ao lado de animais digitais em cenários digitais. Os efeitos especiais são incríveis e o filme não descuida da trama, tem aventura e tem momentos emocionantes. O filme tá cheio de gente famosa no elenco de vozes e tem também dubladores artistas na dublagem brasuca, eca, e eu que queria mostrar esse filme pra minha mãe, ela gosta de dublados.


O blu traz poucos extras. Um making of com apenas meia hora de duração, porém completinho. Um especial engraçadinho sobre o ator mirim Neel Sethi. E Christopher Walken cantando (esse momento do filme eu não curti muito. Walken dá medo). Comentários em áudio do diretor e dois trailers, Rogue One e Zootopia.
Também disponível em dvd e em blu3D.

25.8.16

GALERIA DO TERROR



Você não consegue pensar num monstro barra serial killer que seja novinho em folha e super original? Então que tal fazer um filme de terror com cachorros? Todo mundo tem medo de cachorros, certo?
O que torna CÃES ASSASSINOS (2006) interessante é o fato do pessoal ficar insistindo nesse lance até o final, um filme de terror com cachorros que, claramente, estão se divertindo durante as gravações. Não dá pra sentir o terror, o medo, a tensão ... a gente olha pros dogs e logo pensa ''olhaquecuticutifofinhopeludinhocoisinhalindavontadedepegar...''.

Se vamos chamar de ''filme de terror'', melhor dizer que ele é indicado para quem sofre de cinofobia e pronto. Uma loira peituda pisa numa ilha, entra na floresta e é atacada por monstros misteriosos. Mais tarde, chegam os ''adolescentes'' que vão passar uns dias numa cabana nessa mesma ilha. Aí os dogs atacam. Eles estão cercados, a cabana está cercada. Eles precisam correr até a praia pra fugir de barco e os cães seguem matando todos aqueles que tentam dar uma de herói.

Acho que o momento mais tosco foi quando o bonitão Oliver Hudson pegou um arco e flecha e mirou no líder dos cachorros. Teve até um ''efeito matrix'', olha só a pose do machão, ele vai chutar o pau da barraca. Aí o cara dispara, mas o dog foi mais esperto que ele e a flecha entrou na perna da Michelle Rodriguez. Todo aquele ''efeito especial'' para nada?

É tanto clichê nesse filme que a gente até perde a conta. No final, os dois caras bonitões (e brancos) escapam da ilha com a Michelle Rodriguez. Mas eles não sabem que tem um cãochorro assassino escondido no barco ahhhhhh!!!!!!!!
















DÊ UMA CHANCE PARA ...


Se você mora no Brasil, À FLOR DA PELE é um filme gay, por alguma razão. Eu vi o dvd, todo bonitinho, com uma luva, e ele mencionava o tal triângulo amoroso entre uma moça e dois rapazes. A capa do dvd era bem sugestiva. Também já vi o dvd na Saraiva, na semana do Orgulho, alguém o colocou no balcão ''olha pra mim''. A livraria Cultura fez a mesma coisa algum tempo depois. E, recentemente, vi o filme em alguns homoblogs.
 
Agora vem a verdade. Esse filme francês de 2005 não é um temático, não tem nada gay nesse filme. E o tal triângulo amoroso não é o tema principal do filme. Tudo errado. Aí você vai atrás do filme pra ver, sei lá, os dois caras fazendo homossexo, e se decepciona. Agora você vai querer condenar o filme por isso?

Clément é o personagem principal, sua vida está passando por algumas mudanças e ele está fazendo um balanço disso. Ele tem uma namorada, ele pratica judô, ele tem um pai alcoólatra que pode perder o emprego por conta disso, e uma mãe que faz de tudo para economizar dinheiro. Sua família já está passando por dificuldades financeiras, o filho vai pra faculdade no próximo ano. Ele arruma um amigo rico, Mickael, que também luta judô, e num belo dia, a namorada de Clément toma a iniciativa e faz sexo com os dois rapazes ao mesmo tempo. Bem, o filme é sobre isso, um adolescente tentando se adaptar, pressão no judô (pra ganhar peso ou pra perder peso), pressão na escola, dificuldades em casa, e por fim um novo tipo de relacionamento com a namorada de longa data. Em algum momento, algo vai explodir dentro dele.

Uma coisa que homocaras vão curtir: cenas de vestiário, os garotos ficam peladões, todos eles. Tem um tiozão de barba, ao fundo, que rouba a cena. 

livro - A SAGA DO TIO PATINHAS



Não existe uma cronologia oficial nas HQs da Disney, alguns autores contradizem outros e tudo vira uma bagunça, de eventos e datas. Mas nos anos 1990 Don Rosa tentou botar ordem na casa. Ele pegou o Tio Patinhas, criado por Carl Barks, e vasculhou o passado do pato. Resgatou inúmeros detalhes das clássicas histórias criadas por Barks, sempre que um pedacinho do passado do personagem era mencionado, e juntou tudo numa única saga que, praticamente, explica tudo.

Esse encadernado traz os 12 capítulos da saga e mais 6 histórias do tipo flashback, que preenchem algumas lacunas. A trama começa no final do século 19, na Escócia, vemos o Patinhas ainda criança engraxando sapatos e ganhando sua famosa moedinha número 1. Depois ele resolve fazer fortuna viajando pelo mundo e, sempre que possível, ele envia dinheiro para os pais e as irmãs na Escócia. Aí nós vemos de tudo, seu primeiro encontro com os Metralhas, que ainda não usavam esse nome, sua primeira pepita de ouro, a ''namorada'' Dora Cintilante, a mania de nadar em dinheiro, a compra do casaco, da cartola, seus primeiros óculos, o destino de sua família, a chegada em Patópolis lá perto do final, e a construção da caixa forte. 

O livro ainda traz vários extras, capas originais, menciona os easter eggs, e mostra a árvore do clã Patinhas ao lado da árvore da família Patus. As duas famílias se encontraram quando o filho nervoso da vovó Donalda se casou com a irmã nervosa do tio Patinhas, aí nasceram o pato Donald e sua irmã Dumbela, a mãe de Huguinho, Zezinho e Luisinho. Acho que essa é a parte mais divertida da HQ, o modo como brincam com o passado, gerando o presente que conhecemos. Há também vários momentos emocionantes. Valeu cada centavo.










VOCÊ É TÃO FUCKING HOT, OLIVER JACKSON-COHEN






23.8.16

ENQUANTO ISSO, NUM SERIADO FRANCÊS

SEXO, MENTIRAS E DOIS CANOS FUMEGANTES


Fabiano e Ricardo, esses dois adoravam brincar. No banheiro da escola faziam o joguinho do ''mostra o seu e eu mostro o meu''. Eram vizinhos. Passavam muito tempo juntos. Haviam outros joguinhos fora da escola? Eu tava naquela idade especial, os garotos ao redor estão descobrindo seus corpos, é moleza tirar uma casquinha de um heterocara qualquer, eles levam tudo na brincadeira. Então comecei a brincar com os dois no banheiro da escola, mas a coisa tava avançando num passo lento demais pro meu gosto (hey, no ano anterior fiz sexo com o professor de educação física. É uma ótima maneira de tirar uma boa nota no futebol sem nem sequer saber jogar futebol. Até hoje não sei).

Aí pintou um trabalho em grupo (eu odeio trabalho em grupo, eu sempre acabo fazendo o trabalho todo). Mas a professora me colocou num grupo ao lado do Fabiano e do Ricardo, eu adoro trabalho em grupo agora. A gente tinha que ler Moby Dick. Quando passamos pela biblioteca, levamos um susto, aquela coisa tinha mais de 500 páginas (naquela época, eu ainda não curtia livros). Então resolvemos alugar um filme. Tinha um filme com o Gregory Peck, um Moby Dick de 1956. E o Fabiano era rico, ele tinha um vídeo cassete, a gente ia ver o filme na casa dele (só que eu não acreditava nisso).

Eu tomei um super banho antes de sair de casa, minhas pernas estavam tremendo, wow eu vou fazer sexo a três hoje (daonde eu tirei isso?). E não havia ninguém na casa do Fabiano, só nós três, perfeito. Começamos a ver o filme. Comecei a pensar num plano, estava nervoso demais, outra pessoa poderia tomar a iniciativa? O Fabiano fez isso, depois de alguns poucos minutos de filme.
- Ricardo, vem aqui no meu quarto, quero te mostrar uma coisa.
A porta fechou, eu fiquei lá, na sala, sozinho. Quando essa baleia vai aparecer? Aí um pequeno Alessandro de pijama vermelho apareceu no meu ombro - ''Sabe de uma coisa? Eles estão fazendo sexo, lá dentro, neste exato momento !!!''.

Não não não não não não não não era esse o plano. Me levantei e corri até a porta do quarto. Vocês estão perdendo o filme, eu disse. Depois você conta pra gente, um deles respondeu.
Olhei pelo buraco da fechadura. Vi uma parede. Olhei por debaixo da porta. Vi uma peça de roupa no chão. Ah, colé, é um quarto de menino, diferente do meu existem peças de roupa largadas pelo chão o tempo todo. Não. Espera. Um dos dois estava usando aquela camisa ali? Eu não me lembro, estou enlouquecendo aqui. Corri até o quintal e tentei olhar pela janela, muito bem fechada. Voltei para dentro e tentei ouvir alguma coisa colando o ouvido na porta.




@$#%&# o volume da tv tá muito alto, maldita baleia. Opa, esse som, alguém se mexendo numa cama. Depois não peguei mais nada. Voltei pro sofá e fiquei vendo o filme com o cérebro no modo ''zumbi''. Um pouco antes do final, a porta do quarto abriu.

- O que vocês estavam fazendo lá? - não resisti, estava explodindo por dentro. Não acredito que fui deixado de lado.
- Eu só tava mostrando pro Ricardo algumas revistas.
- Que tipo de revistas?
- Ah, você é novo demais pra essas coisas.

Novo demais? Defina ''novo demais''. Meu aniversário é no final do ano, aí vamos ter a mesma idade. Novo demais??? Enquanto vocês estão se masturbando no quarto com revistas eu estou na escola recebendo sexo oral de um professor, novo demais?

Pra variar, lá estava eu fazendo o trabalho todo sozinho. E eu nem me lembrava do filme. Mas eu dei sorte, a professora nem sequer leu o livro. ''Olha, não acontece muita coisa. Um cara quer se vingar da baleia que comeu seu pé. Ele encontra a baleia, ela ataca o navio e todo mundo morre. Moral da história: vingança é uma coisa muito ruim''.
Todo mundo morre? Não. Eu me esqueci do Ismael. Ele voltou pra casa boiando num caixão. Teve um dia melhor que o meu.

FELIZ ANIVERSÁRIO, SCOTT CAAN (40)