DE VOLTA AO LAR
Eu já sabia que o Pedro queria namorar comigo, mas nunca fui a fim dele e eu sempre evitava de lhe dar falsas esperanças. Quando ele me convidou para ir numa festa cheia de gueis é claro que eu aceitei. Não gosto muito de festas, multidões me deixam sufocado, mas eu poderia arrumar um namorado. A festa era em homenagem a um amigo que passou os últimos cinco anos em outro estado e agora havia voltado para SP. Então, bora pegar o trem.
LONGE DE CASA
Encontrei o cara perfeito assim que chegay. Depois de alguns minutos estávamos nos amassos num canto do apartamento. E o tempo passou muito rápido. Senti alguém cutucando minhas costas, era o Pedro. Ele disse que o metrô iria parar de funcionar à meia noite, esse também era o horário do último trem de volta para casa. A gente tinha que sair de lá agora. Eu fiquei furioso.
O cara bonitão me deu um beijo e disse que eu e o Pedro poderíamos passar a noite na casa dele. Gentil, fofo, educado, parecia coisa de serial killer também, mas não achei a ideia ruim. Contei para o Pedro e o rapaz explodiu de ciúmes, você vai dormir com ele na cama dele, ele disse, eh... dã, eu pensei, e eu vou dormir no sofá, eu não vou dormir num sofá.
Aí o "Patrick Bateman" disse que nos levaria de carro até a estação a tempo da gente pegar o último trem. Fui com ele na frente enquanto o Pedro se sentou atrás e ficou chutando o meu banco a viagem toda.
SEM VOLTA PARA CASA
Essa foi a minha pior viagem de trem. A gente não tava se falando, e o trem sofreu uma pane e morreu numa estação no meio do caminho. A gente fica brabo, mas reconheço que a CPTM agiu rapidamente naquela noite, logo surgiram alguns ônibus que levariam todos os passageiros até a próxima estação. E eu não posso culpar a CPTM pelas pedras que foram jogadas no ônibus por alguns vândalos quando passamos por uma rua escura.
Uma das pedras acertou uma passageira na cabeça. O motorista fez todo mundo descer e levou a moça para o hospital enquanto nós andamos dois quarteirões até a estação.
UM NOVO DIA
Quando finalmente chegamos na nossa cidade, a gente andou da estação até a casa do Pedro, era pertinho. Já passava das duas da madrugada, ele continuava emburrado e eu tava satisfeito com o telefone do Patrick no bolso.
Corta para o futuro, o número do telefone que você discou não existe. Corta pra hoje. Estou pensando... pegay vários números nesses namoricos na capital e... eu acho que eu deveria ter discado algum código na frente do número... Meh, o que é pior? Ser burro ou ser enganado?
Assim que entramos na casa eu brinquei com o cachorro e me estiquei no sofá, eu estava decidido, vou dizer para o Pedro que vou dormir no sofá, não me convide para a sua cama, só isso.
Quando ele apareceu, antes que eu abrisse a minha boca, ele colocou um cobertor dobrado e um travesseiro no sofá ao meu lado. Ele pegou o cachorro, o levou para o quarto e fechou a porta. Tá, ok, eu mereci isso.












































