Não é o livro do Arthur C. Clarke, tenho duas versões dele em casa, se trata de um making of do filme de Stanley Kubrick, um dos meus filmes favoritos desde criança. Esse livro foi um achado, tem quase 500 páginas, capa dura, fotos da produção e... foi super barato.
É incrível ver como o autor conseguiu reunir tantas informações e detalhes sobre a produção do filme de 1968, há muitas entrevistas também, a esposa de Kubrick conta muitas histórias interessantes. O livro começa contando como foi o primeiro encontro entre o diretor e o escritor. Cara, eu não sabia que o Clarke era gay. Stanley havia visto um curta canadense chamado Universe (de 1960, disponível no YouTube) e ficou impressionado com os efeitos especiais, ele queria fazer algo parecido e entrou em contato com um famoso escritor de ficção científica.
Enquanto Stanley e Clarke escreviam o roteiro do filme, o diretor fez testes com os novos efeitos especiais e até conseguiu fechar um acordo com a MGM. Levou uma baita equipe até a Inglaterra e começou a produzir mesmo sem ter um roteiro pronto, o filme não tinha um título e nem um final.
Foram quatro anos dedicados a um projeto ambicioso e caro, que passava por mudanças todos os dias enquanto o roteiro ainda estava sendo escrito. Ao mesmo tempo, Clarke escrevia uma versão para um livro que o diretor não queria que fosse publicado antes da estreia do filme. Por conta disso o escritor se afundou em dívidas.
Atrasos, muito dinheiro gasto em coisas que foram descartadas depois, acidentes feios, acidentes felizes, cenários gigantes, muita gente irritada, efeitos especiais criados do nada, a busca por um compositor, a complicada fantasia de macaco... você não consegue ver um filme do mesmo jeito que via antes após ler sobre o making of de cada pedacinho dele. O livro segue até a desastrosa estreia do filme, onde as pessoas deixavam o cinema no meio da sessão e ninguém entendia nada. Em poucos dias ele foi descoberto por um público mais jovem e se tornou um sucesso. Depois dessa leitura pretendo rever o filme e vai ser como se fosse a primeira vez, de novo.
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