22.10.13

DÊ UMA CHANCE PARA ...


Antes de conferir KABOOM, é melhor você dar uma olhada na filmografia de Gregg Araki. Roteirista e diretor de muitos filmes temáticos bem bizarros. KABOOM segue a mesma linha, você tem que estar preparado. O cara já brincou com a aids num road movie chamado ''The living end" e já deu uma de Tarantino em ''Doom, geração maldita''. ''Mistérios da carne'', com Joseph Gordon-Levitt, foi seu filme mais sério até o momento. KABOOM lembra mais ''Esplendor, um amor em duas vidas'' (outro filme do cara, que começa como dramédia e depois termina como ficção científica).
Embora tenha sempre personagens gays barra bissexuais no elenco principal, o diretor barra roteirista não investe muito em cenas de sexo gay, seus filmes trazem muito hetero-sexo e nudez feminina. ''Mistérios da carne'' é uma exceção, provando que o cara não tem medo de fazer esse tipo de coisa. Mas a gente fica pensando, muitos homopersonagens não conseguem se satisfazer sexualmente em seus filmes. Será que Gregg está apenas nos provocando? Acredito que sim. Alguns filmes do cara têm um final que é um tanto decepcionante, algo do tipo ''não estou ligando se você não gostou do final, é um final e pronto, aceite isso''. Gregg Araki sempre faz o que quer.
Em KABOOM acompanhamos a história de um rapaz chamado Smith. Nada de rótulos, ele faz sexo com quem ele quiser, mas no caso dos homens a gente vê pouca coisa. Sua amiga Stella está namorando uma doida do tipo ''atração fatal'' que tem poderes paranormais. Smith divide um quarto com um surfista estereotipado (lindo, sarado, loiro, anta), e vive tendo sonhos eróticos com ele. Thor (esse é o nome dele) é supostamente hetero, e está deixando Smith confuso barra maluco. Ao mesmo tempo, o rapaz começa a ter sonhos estranhos com pessoas que ele nunca viu na vida.
De repente, ele encontra essas pessoas na vida real e, uma delas, a garota ruiva, parece estar sendo perseguida barra assassinada por homens com máscaras de animais. A explicação para todo o mistério vem de uma só vez perto do final, aí o filme viaja na batatinha. É mirabolante demais e não combina com o restante da trama (algo típico do diretor). Mas é sempre legal ver personagens gays fazendo algo diferente nos filmes. Drama, homofobia, suicídio blá blá blá, já estou cansado disso.

REPLAY - KICK-ASS



Deveria ter sido o filme que mudaria tudo, um divisor de águas entre os filmes de super heróis, mas quem disse que Róliudi aprende com seus erros? Os demais super caras nem sequer aprenderam com KICK-ASS. Então o filme segue sozinho como um mini cult nerd. O fato de ter recebido uma classificação +18 não o ajudou muito nos cinemas (a maior parte do público nos isteites é formada por crianças e adolescentes) mas o manteve fiel ao gibi no qual foi baseado.
KICK-ASS começa bem legal, temos Aaron Johnson se perguntando por que é que ninguém se veste de super herói e sai por aí combatendo o crime. Você seria morto, certo? você não tem super poderes (ora, nem o Bátima tem). Ainda assim, ele decide fazer isso, ele se torna o herói Kick-ass. No momento em que ele leva uma senhora surra, você nota que o tom do filme mudou, pinta o humor negro, a ultra violência, e Nicolas Cage aponta uma arma para uma menina de 11 anos, uma cena bem perturbadora. Inspirados pelo Kick-ass de Aaron, Nick e sua filha se tornam super heróis também, desse modo Cage pode levar seu plano de vingança adiante. Entram bandidos barra pesada e o filme vai ficando cada vez mais interessante até que, em seus minutos finais, a capa prende no ventilador e a fantasia domina o clímax de um filme que, até então, tentava manter os dois pés no chão. Mas tudo bem. Foi um dos filmes mais divertidos de 2010.

KICK-ASS 2


Nenhuma sequência tem aquele climão de novidade, mas é possível ir além. KICK-ASS 2 é mais divertido que o primeiro filme. Traz mais personagens engraçados e faz homenagens aos quadrinhos. Sim, continua sendo bem violento, você não pode sair por aí combatendo o crime na vida real usando um uniforme, isso é perigoso, ambos os filmes nos alertam sobre isso. Mas nenhum dos dois consegue ser mais violento que a HQ, onde vemos litros e mais litros de sangue jorrando em cada página. Embora seja a ''vida real'' (a frase ''essa é a vida real e não uma história em quadrinhos'' é dita várias vezes neste filme), temos vigilantes que se vestem como super heróis de HQs e usam nomes típicos de super heróis de HQs, essa é a parte divertida do filme. Mas, como no filme anterior, a diversão termina nas ruas infestadas de criminosos. KICK-ASS 2 não é apenas comédia.


EU SEI KUNG FU


O filme se passa alguns anos após o primeiro (dã). Dave não veste mais o uniforme de Kick-ass. Mas a cidade está cheia de novos vigilantes que se inspiraram no herói. Mindy ainda age secretamente como Hit-Girl, mas seu guardião a obriga a levar uma vida normal. Logo, durante boa parte do filme, vemos Mindy tentando se adaptar na escola. Enquanto isso, Chris D'Amico dá continuidade ao plano de se tornar um vilão. Ele quer se vingar de Kick-ass, que matou seu pai no primeiro filme. Dave resolve vestir o uniforme de Kick-ass novamente e começa a ser treinado, no combate corpo a corpo, por Mindy. Nas ruas, Kick-ass se junta a um grupo de vigilantes liderados pelo Coronel Estrelas (a melhor atuação de Jim Carrey em anos), cada um deles tem uma história triste para contar, uma boa razão para se tornarem vigilantes. É aí que Chris D'Amico resolve montar sua própria equipe de super vilões, e adota um novo nome, Motherfucker. Na aparência, o filme é sempre divertido, mas os vilões levam seu trabalho a sério e alguns personagens irão sofrer mortes violentas. Há uma cena adicional no final dos créditos, adivinha quem voltou dos mortos...










VEJA TAMBÉM: Kick-ass, Heróis muito loucos, O Justiceiro (2004), Kill Bill vol 1.

DIANA


DIANA já recebeu uma quantidade absurda de péssimas criticas por aí, na maioria das vezes o filme é acusado de ser fraco demais, sem nenhuma ousadia. E quer saber de uma coisa? é isso mesmo. Acho que o filme tem medo de criar polêmicas, se trata de Lady Di, muita gente ainda ama essa mulher. Se vamos fazer um filme sobre ela, e agradar os fãs da princesa ao mesmo tempo, então ela tem que ser uma santa na telona. É bem por aí. Numa rápida cena, vemos a princesa ensaiando sua famosa entrevista, sobre a traição do marido, na frente de um espelho. No restante do filme, ela é a Branca de Neve. Ok, já vimos algo parecido em ''sete dias com Marilyn'', ninguém se atreve a sujar a memória de um mito, mas DIANA tem um problema sério, como filme é fraco demais, edição, direção, os diálogos são bregas, tenta emocionar de uma maneira bem amadora. 


FIZ UM FILME E VOLTEI PRA ILHA DE LOST


O filme mostra os últimos anos de Diana. Ela já está separada de Charles há 3 anos, mas o divórcio ainda não foi oficializado. Ela conhece o cirurgião Hasnat Khan (o Sayid de Lost) num hospital e os dois começam a namorar secretamente. E o filme todo é sobre os altos e baixos deste romance secreto. Diana diz publicamente que não existe nada entre os dois, e Hasnat vira motivo de piada no hospital. E eles ainda precisam evitar os paparazzi. Você já sabe como o filme vai terminar, blá blá blá Dodi Fayed blá blá blá túnel em Paris, o tema principal é o romance da moça com o cirurgião. Ele é o único personagem secundário do filme que tem uma vida, quando a personagem principal não está na tela, no restante do tempo só dá Naomi. Não funciona como drama e nem como biografia. Lady Di e seus fãs mereciam um filme melhorzinho.












VEJA TAMBÉM: A rainha, O discurso do rei, Sete dias com Marilyn, A princesa e o plebeu. Um lugar chamado Notting Hill.

19.10.13

OS SUSPEITOS


Isso é um saco, se você já viu o trailer, então você já viu boa parte do filme, os primeiros 50 minutos pelo menos. Ainda bem que OS SUSPEITOS é um filme beeeem longo, ele ainda tem muita coisa pra mostrar. O modo como a trama se arrasta um pouco lá no meio incomoda muitos elefantes. Mas você pode esperar pelo dvd, vai ser muito mais confortável ver o filme em casa, você pode se esparramar no sofá, na poltrona do cinema não dá. A longa duração não é o fim do mundo, o filme está cheio de ótimas atuações e de momentos tensos. A trama decola rapidinho, depois o filme diminui o ritmo, mas tudo bem, a brincadeira é tentar descobrir a identidade do vilão, e assim, no meio do filme, há várias distrações, o final tem que ser uma surpresa.


HUGH NÃO GOSTA DE JAKE, JAKE GOSTA DE GEL


Hugh Jackman e Maria Bello são os Dover. Terrence Howard e Viola Davis são os Birch (eu disse Birch). O filme começa com um jantar de ação de graças, as duas famílias estão juntas na casa dos Birch. Enquanto os adultos estão festejando, as meninas Anna e Joy saem para brincar lá fora. Algum tempo depois, os pais dão pela falta das filhas. As duas desapareceram no ar, mas um trailer foi visto passando pela rua. Aí entra o detetive Gyll-o, procurando pelo sequestrador das meninas. Ele encontra o trailer e prende o suspeito. O cara é impossível de ser interrogado, raramente abre a boca, e não há nenhuma evidência no veículo. Jackman tem certeza de que o cara é o sequestrador e resolve fazer justiça com as próprias mãos. Ele sequestra o suspeito, prende e tortura o cara numa casa abandonada tentando conseguir uma confissão. Enquanto isso, Jake ainda está atrás do sequestrador, e ele tem uma pista quente. Quer dizer então que Jackman está torturando um homem inocente? Nos minutos finais, OS SUSPEITOS quase vira um filme de terror, vai acontecer uma coisa horrível com o Canguru Jackman, coitado. O final aparece sem aviso, mas foi legal. A melhor atuação do filme é de Melissa Leo. Será que esse filme vai passar batido pelo Oscar em 2014?










VEJA TAMBÉM: A troca, O silêncio dos inocentes, Código de conduta, O sol é para todos, O preço de um resgate.

EM CARTAZ: 1995


Várias estreias interessantes neste fim de semana. Mas, na minha cidade, apenas 1 filme estreou. Nada de ''Diana'', nada de ''Kickass 2''... apenas ''os suspeitos'', e em versão dublada. Abri o jornal para ter certeza, não vou poder ver três filmes lá na capital no mesmo dia, tenho que recorrer ao cinema daqui. Então nada feito, não vou ver uma cópia dublada (Hugh e Jake falando português? seria estranho). De repente, uma surpresa no jornal. O Moviecom está exibindo o filme ''os suspeitos'' de Bryan Singer??? Caramba, o filme de 1995 com o Keyser Soze e ... não, espera, caiu a ficha. 
Foi por causa do moviecom que abandonei minha cidade e passei a ver filmes somente na capital. Doze anos depois, parece que o moviecom da minha cidade continua a ser um cinema bem chifrim. Tudo bem, em português, ambos os filmes tem o mesmo título, mas, fala sério, uma rede de cinema cometendo um erro desses?
 

18.10.13

A HORA DO PESADELO DA BRANCA DE NEVE


Eu e minhas irmãs tivemos uma infância feliz, cheia de filmes de terror. Eu vivia alugando filmes de horror na locadora e elas costumavam ver cada um deles comigo. É claro que havia sexo em vários filmes, nenhum de nós deveria estar vendo esse tipo de coisa, mas eram cenas que não impressionavam, uma pausa no terror, a gente não ligava para o sexo, a gente queria sentir medo, só isso.
E nós vimos de tudo, filmes de zumbis, os ''Hellraiser'', todas as ''sexta feira 13'' disponíveis e também os ''a hora do pesadelo''. Na hora da brincadeira, o tema era sempre esse, filmes de terror.
Certa vez, nós estávamos de férias no litoral com outra família (que já morou na nossa rua). Ao lado da nossa ''colônia de férias'' havia uma casa abandonada. Ela começou a ser construída mas o projeto foi abandonado, só haviam paredes. Era um labirinto de tijolos que estava sendo dominado pela vida vegetal. Passamos por lá durante o dia, era de meter medo, digo, era perfeita.
Naquela época, a gente vivia brincando de Freddy Krueger em casa, naquele terreno abandonado teríamos um cenário perfeito para a nossa brincadeira. Peguei uma luva de goleiro e acabei com ela, ou seja, abri quatro buracos na ponta dos dedos, e aí enfiei quatro facas de cozinha, uma em cada dedo, badda bim, badda bom, badda Freddy Krueger!
Minhas irmãs corriam pela casa enquanto eu andava lentamente, raspando minhas ''unhas'' nas paredes. Nossos dois vizinhos, uma menina (esqueci o nome dela) e seu irmão Fabiano estavam apavorados, não eram acostumados com esse tipo de brincadeira e o sol já estava se pondo. De um lado estava minha irmã mais velha, ameaçando invocar a alma de Amanda Krueger para me pegar (eu disse que a gente via os filmes juntos) e do outro lado estava a filha do vizinho, atrapalhando a brincadeira de duas maneiras: ela estava vestida de Branca de Neve (voltou de uma festa e não queria tirar a fantasia) e também estava apaixonada por mim. Ela não queria fugir, queria que eu a agarrasse. Então ficava parada na minha frente sempre que possível.
Conseguiu me puxar para um canto e perguntou se eu queria ganhar um beijo. O irmão dela apareceu nesse exato momento (meu salvador) e me provocou, ele queria ser caçado pelo Freddy, então eu fui atrás dele. A menina deve ter ficado furiosa, deixou a brincadeira. Então, havia apenas eu, minhas irmãs e o Fabiano na casa. Consegui pegar o garoto num pequeno cômodo, a gente tava rindo a beça. E aí ele me perguntou, o que tava rolando entre eu e a irmã dele há alguns momentos. Eu contei que ela queria me beijar.
Então ele me perguntou se eu já havia beijado uma menina antes, eu disse que sim (que nada, virgem até hoje!). Aí ele me perguntou como é que foi.
Ah, nada de mais, é só assim (fechei o punho e dei um beijo nas costas da mão). É, ele disse, mas como é fazer isso na boca de alguém?
Aí eu perguntei - você quer tentar? (até hoje não sei dizer de onde saiu isso. Eu já era pré programado para a homossexualidade antes da puberdade, disso eu tenho certeza). Ele riu, mas acabou topando. E não foi uma bitoca qualquer, hey, eu já havia visto muitos filmes na vida, estava na hora de botar aquelas coisas em prática, Tom Cruise em Top Gun era a minha inspiração.
Quando nossas bocas se separaram, foi a vez do Freddy Krueger levar um susto daqueles. Lá estava ela, a Branca de Neve, parada na entrada do cômodo. Pensei que tinha ido embora. Se isso fosse um filme, um trovão ao fundo completaria a cena.
Ela saiu correndo e a brincadeira acabou. Se ela abrisse a boca, eu e o Fabiano estaríamos encrencados. Mas ela não contou nada pra ninguém, estava furiosa. No dia seguinte tentei me aproximar, precisava ter certeza de que ela iria guardar segredo. E ela me deixou de queixo caído, estava brava porque eu havia beijado o irmão dela: - Alessandro, eu te pedi um beijo primeiro! - O fato de nós dois sermos homens não a incomodava, o irmão deveria ter esperado a vez dele, apenas isso.
Lição de homotolerância de uma menina de 11 anos. 

ANIVERSARIANTE LOBISOMEM DO DIA

TYLER POSEY (22)

16.10.13

JULGANDO PELA CAPA

Há alguns dias, encontrei o dvd de um filme que eu já tenho em casa em blu-ray. O dvd tinha um poster tão bonito. Caramba, blu-ray brasileiro é um nojo, só dá capas horríveis. Aí eu me lembrei que, nos anos 1980/90, haviam filmes em vhs que você não iria querer ter em casa. Mesmo que o filme seja bom, é melhor deixar a caixa longe da vista das visitas. Veja algumas pérolas do passado: