25.10.16

MINHA PRIMEIRA LAGOA AZUL


Meu nome é Alessandro, tenho 13 anos, e a minha vida acabou. Eu passei o ano todo fazendo umas brincadeirinhas na cama com o Nino. Cada vez que a gente se encontrava, as brincadeiras evoluíam. Eu não tinha a menor ideia de onde isso ia parar. Mas parou num momento em que tava muito legal. Achei que ficaríamos apenas nisso, o que mais a gente podia fazer? Não havia ninguém para nos ensinar coisas novas. Foi algo do tipo lagoa azul.

Aí aconteceu o desastre. Eu perdi o controle e terminei dentro (você entendeu). Um fato estranho sobre sexo: mulheres têm bebês, homens não, tenho certeza disso. O Nino nunca vai ficar grávido, ah ah ah, que bobagem. Mas ... será que não vai acontecer alguma outra coisa com ele? Bem, alguma coisa vai acontecer, aquilo que fizemos foi sério demais. 

Plano A: pesquisa.
Havia um livro de educação sexual em casa. Eu nunca li. Eu só abria pra ver um cara pelado numa foto do tipo "seu corpo vai ficar assim quando você crescer". Resolvi ler o livro, pelo menos a parte do sexo. Não havia nada sobre dois homens juntos, nem mesmo sobre sexo ... vamos dizer ... alternativo. O que fazer?
Fui até a banca de jornal (mais distante) de casa e passei os olhos em revistas eróticas. Havia uma revista gay. Quando o jornaleiro se distraiu, eu peguei a revista e abri (plásticos? não naquela época). Ai caramba, nunca fizemos isso, ou isso, ou ... ok, não tenho muito tempo, vamos pra última página. A-ha, o cara terminou fora. Todo mundo termina fora. Eu tô ferrado.
Dias depois, pintou uma ideia. Aquilo devia ser pose pra foto. Vou tentar a vídeo locadora que acabou de abrir aqui no bairro. Os filmes eróticos ficavam num corredor bem na entrada (???), mas não havia nenhum com homens e apenas homens. Devo perguntar pro balconista? Voltei pra casa.

Plano B: fugir do país.
Alguma coisa vai acontecer com o Nino, eu não disse nada pra não meter medo nele. Pelo menos até eu juntar mais algumas informações. E quando acontecer, os pais do Nino vão descobrir tudo. E vão aparecer na minha casa para conversar com os meus pais. Que vergonha, eu quero morrer. Resolvi fazer o jogo da espera. Nada mais de sexo. Fim. Acabou. Vou esperar alguns meses (nove, talvez?) e ver se vai acontecer alguma coisa.
Comecei a evitar o Nino na escola. Eu consigo fazer isso. Estou decidido. A gente se vê daqui a nove meses, tchau. Três dias depois, lá estava eu, no quarto do garoto. Certo, certo, certo, vai ficar tudo bem desde que eu não termine dentro. Isso só vai piorar as coisas. 

Tanto medo, tantas perguntas. No ano seguinte eu fiquei com um cara trinta anos mais velho que eu. E ele tirou todas as minhas dúvidas. No fim das contas, tive meu próprio ''Ensina-me a viver (1971)'', esse era o filme que eu tava precisando.

2 comentários:

Anônimo disse...

Gosto quando contas suas histórias...

Anônimo disse...

Mais uma delícia de história. Olha, há não muito tempo atrás, realmente os pré-adolescentes ficavam mais perdidos do que cachorro quando cai de mudança em relação ao sexo. Não havia a informação que tem hoje em dia. As meninas quando menstruavam pensavam que aquilo era sintoma de uma doença grave. Meninos achavam que estavam com câncer ou que tinham sido picados por um inseto venenoso quando estavam naquela fase em que os peitinhos masculinos incham. Teve gente que já achou que só de dar beijo de língua em homem já engravidava. huahuahuahua