27.1.15

TERROR EM ALTA DEFINIÇÃO


E aí o Fernando disse, vem pra cá, e eu disse, não, e ele disse, vem sim, e eu disse, não tô muito a fim. Eu tinha um problema com o Fernando, as preliminares eram divertidas, mas o sexo em si, não era. Ele tinha nádegas bem largas, havia a necessidade de alguns malabarismos, que eu não curtia. E como ativo, ele... bem, acho que eu me divertiria bem mais com uma bic quatro cores. E aí ele disse, meus pais acabaram de sair, e eu disse, já disse que não tô a fim. E ele disse, comprei um blu-ray player.
Wow, eu já havia comprado o blu do filme Watchmen, mas ainda não tinha grana para comprar o aparelho. Era muito chato ter um disco em casa e não poder assistir. Ok, tô nessa.
Certo, ele vai querer fazer sexo antes ou depois do filme, posso sobreviver a isso, só quero ver um filme em HD. Alguns garotos de programa se vendem por menos que isso. O filme que ele tinha em casa era o Drácula do Francis Ford Coppola, um filme de 1992, eu queria ver algo mais recente e não uma conversão. Mas vá lá.

Ele começou a me agarrar durante o filme. Ok, vamos nessa, não tô curtindo muito esse tal de HD mesmo. Estávamos nas preliminares, no sofá, quando a família dele voltou. Eu não tive tempo de vestir minha roupa, simplesmente me escondi atrás da porta. A mãe do Fernando entrou dizendo que eles deram meia volta com o carro porque o pai havia esquecido as vitaminas. Bem, se eu for descoberto, não será com a cueca na mão. Tentei me vestir naquele espaço minúsculo e meu cotovelo esbarrou na porta. A mãe do Fernando levantou o olhar e viu o cara de cuecas escondido ali. Eu tive que dar um sorriso e um aceno quando vi que ela não estava se mexendo, dava para ouvir as rodas dentadas girando dentro de seu cérebro. Finalmente, ela se virou pro Fernando.
Não sei que tipo de acordo eles têm naquela casa, só sei que ela começou a se desculpar pela intromissão. Suas mãos tremiam enquanto ela vasculhava a gaveta dos remédios.
- Eu já estou saindo, já estou saindo. 
Ela estava chocada, mas lutava internamente para se manter calma.

E aí o marido entrou querendo saber o motivo da demora. Assustando todo mundo. Ele ficou parado no batente, apenas uma fina porta separava o paizão do rapaz semi nu, que estava fazendo sexo com o filho dele. Ela pegou as vitaminas e correu na direção da porta. Com a mão esquerda, ela me empurrou contra a parede, me escondendo melhor, e com a outra mão ela empurrou o marido para fora, se virou rapidamente e fechou a porta.

- Ufa, se o meu pai pegasse a gente, eu tava ferrado. Então, onde paramos?
Eu estava assustado, envergonhado, e mais alguns outros ''ados''. Tentei processar aquela pergunta, ele está falando do filme, certo? Qual foi a última cena que vi? Acho que foi quando o Keanu ... não, ele tá falando de sexo. Sexo? Acho que perdi minha capacidade de ter uma ereção pelo resto do mês.
- Nós p-paramos no filme.
- Não, ah ah ah, eu não tava falando do filme, ah ah ah.
- Apenas-coloque-a-droga-do-filme, ok?

3 comentários:

Anónimo disse...

Que situação! E o garoto explicou como funcionava as coisas na casa dele, pelo menos?! Caraca!

Mike disse...

Hummm, fiquei imaginando que malabarismos...
além da ação da bic 4 coras, é claro!

Anónimo disse...

"acho que eu me divertiria bem mais com uma bic quatro cores" Kkkkk Muito boa! Vou adicionar ao meu vocabulário pra me referir a transas meia-boca que tem por aí.

ac.ac.