14.12.14

chp apresenta

EDIÇÃO ESPECIAL




''O que você precisa saber, é que é sobre sexo'', o combustível que move a comunidade homossexual, homens pensam em sexo a cada 28 segundos (a cada 9 se for gay). Não se pode fazer um seriado de tv com personagens homossexuais e deixar o sexo de fora. O plano maléfico era mostrar os verdadeiros homossexuais, como eles são no dia a dia, seria uma ótima maneira de educar os héteros, mas havia algum hétero assistindo?
Eu conheci o seriado através de uma reportagem no Entertainment tonight, no começo de 2000. A série ainda estava em produção, iria estrear em dezembro. Um dos produtores do seriado, uma mulher, estava dizendo que haveriam cenas de sexo porque a intenção era criar algo novo. Hetero-sexo a gente vê em muitos canais, o homo-sexo nunca dá as caras em novelas e em seriados de tv. ''Um dia, muitos seriados serão assim. Alguém tem que dar o primeiro passo'', ela disse. E ela estava certa. Vários outros seriados surgiram nos anos seguintes, pegando carona no sucesso de QUEER AS FOLK (2000-2005). Em 2004 pintou ''The L word'' (que durou 6 temporadas), em 2005 veio ''Noah's Arc'' e ''Dante's cove'', em 2007 veio seu spin-of ''The Lair'' (as duas séries são bem fraquinhas, investem mais no sexo e na nudez do que no roteiro).
De 2005 à 2008 surgiram vários homo-seriados, de ''the DL chronicles'' à ''Boys Town'', todos queriam ser o novo QAF, muitos morreram no primeiro ano. ''Downtown Los Angeles'' surgiu em 2012, todo cheio de si, seria o novo QAF? Não. Durou apenas 8 episódios. A maldição do ''novo QAF'' continua (este ano surgiu ''looking''), a série realmente mudou tudo, foi um divisor de águas no mundo da tv e novos web-seriados gays surgem a cada ano, tem até web-seriados brasileiros por aí. Mas essa moda não começou nos isteites...



A SÉRIE ORIGINAL

Lançada em 1999, no Reino Unido, Queer as folk (uma nova versão da expressão ''nobody is so weird as folk'' - ninguém é tão esquisito como nós, que se tornou ''nobody is so queer as folk'' - ninguém é tão gay como nós, abreviada para ''queer as folk''), conta as aventuras de Vince e de Stuart (Aidan Gillen está em ''Game of thrones'' agora), dois amigos de longa data que são gays. Vince sempre foi apaixonado por Stuart, mas Stu não quer saber de compromissos, apenas de sexo. Nathan (é o Charlie Hunnam) tem 15 anos e quer se aventurar pelo meio gay. Ele se torna a ''transa do dia'' de Stu, perde a virgindade com ele e se apaixona na mesma hora. Aos poucos, Nathan tenta se juntar ao grupinho de Vince, briga com a mãe, foge de casa, mas logo percebe que Stu nunca será seu. Stuart doou seu sêmen para um casal de lésbicas, a criança nasce e ele entra em crise, para os gays a vida termina nos trinta. A série (1999-2000) tem outros personagens fixos, mas apenas Vince, Stuart e Nathan fazem parte do elenco principal. O seriado durou apenas 10 episódios. Foi lançado em dvd no Brasil há alguns anos, mas nem dá para comemorar. O box tem as piores legendas que você já viu, com traduções feitas para o PT ao pé da letra.



A SÉRIE NORTE AMERICANA

Poucos meses separam os dois seriados. A série britânica terminou em fevereiro e a série norte americana estreou em dezembro. Essa nova versão só se tornou um sucesso porque o seriado foi produzido em parceria com o Canadá, um país muito mais liberal. Se fosse 100% eua, dificilmente traria tanto sexo e nudez. Eu já sabia que veria algo do tipo, mas ainda assim fiquei chocado. Não é o mesmo homo-sexo que ''vemos'' em filmes temáticos, cacilds, cenas de sexo em QAF eram tratadas como grandes acontecimentos. Havia uma trilha musical, efeitos de som quando a cena era acelerada, por breves momentos, para dar um ar de selvageria... era um espetáculo. Boa parte das cenas de nudez se resumia a bundas, mas quem se importa? O elenco era bonitão.



Os primeiros episódios da primeira temporada foram chupados da versão inglesa. Michael e Brian são amigos desde os 14 anos. Michael é apaixonado por Brian. Brian só quer saber de sexo, e Justin é o pivete que cruza seu caminho no primeiro episódio. Brian doou seu sêmen para Lindsay e Melanie. As lésbicas fazem parte do elenco principal, assim como outros dois personagens exclusivos, Ted e Emmett. O seriado americano se afasta rapidinho do seriado inglês e logo cria suas próprias histórias. Vez ou outra, ele puxa alguma coisa da versão inglesa. Se tornou um seriado único quando começou a tratar de assuntos como a aids e as drogas. Por conta disso, o criador da série resolveu deixar o sexo meio que de lado e investiu mais no drama nas temporadas seguintes. Aí o seriado começou a levantar sua bandeira, defendendo o casamento gay e tudo o mais, virou novela, mas tinha um público fiel.
A série se passa em Pittsburgh, pertinho do Canadá. QAF se tornou um seriado tão político em seus últimos episódios (a gente tava na era Bush), que o Canadá acabou servindo de salvação para alguns personagens. No fim, a série queria mesmo era passar uma mensagem.




OS PERSONAGENS



MICHAEL NOVOTNY (HAL SPARKS)

Michael é a versão americana de Vince. Sua mãe, Debbie, faz parte do pflag (pais, familiares e amigos de lésbicas e gays) e tem muito orgulho do filho homossexual, que ela defende com unhas e dentes. Michael trabalha numa loja de departamentos, enquanto sua mãe trabalha num diner. O tio de Michael, Vic, mora com Debbie e é soro positivo. Debbie é uma das poucas pessoas que conhece o ''terrível'' segredo a respeito do misterioso pai de Michael. O rapaz, que começa o seriado entrando na casa dos trinta, é apaixonado pelo amigo Brian desde sempre. Todo mundo sabe disso e todo mundo sabe que isso nunca vai dar em nada. Michael é um cara romântico, criativo e adora HQs.

Arrasando: Michael compra uma loja de HQs e lança seu próprio gibi estrelado por um homo-super herói, o Rage.
Tô passada: Homofóbicos colocam uma bomba na Babylon (a balada gay que a turma frequenta) e Michael quase morre.
Do bem: Michael sobe no palco e canta ''Ben'' pro namorado Ben.
Alôca: Debbie entra numa sauna gay, procurando por Brian, e vê dois caras fazendo sexo e aí ela aconselha os dois a usarem camisinha.
Bofescândalo: O ator Robert Gant, que faz o papel de Ben Bruckner (o cara que vai se tornar o maior amor da vida de Michael), se assumiu gay assim que entrou para a série.
O que curte: Michael é passivo.


BRIAN KINNEY (GALE HAROLD)

Brian é a versão americana de Stuart. Egoísta e narcisista, ele veio de uma família conservadora. A mãe é uma fanática religiosa e o pai é homofóbico e beberrão. Ele vive num loft e trabalha numa agência de publicidade. Super promíscuo, Brian não acredita na monogamia e nem mesmo no amor, está sempre fazendo sexo com vários homens nos fins de semana, ele é bastante famoso no meio gay, tem 21 centímetros de dote. Brian é amigo de Michael desde os 14 anos, ele sabe que Michael é apaixonado por ele, e faz uso disso para pedir alguns favores. No colégio, Brian chegou a fazer sexo com Lindsay, uma única vez, hoje são só amigos, e ele doou seu sêmen para Lindsay e Melanie. Seu filho Gus nasceu logo no primeiro episódio da primeira temporada. Pai, e na casa dos trinta, Brian tem medo de ficar velho e feio.

Arrasando: Brian abriu sua própria agência de publicidade.
Maldita: Um duro golpe para sua vaidade, Brian descobre que tem câncer e que um de seus testículos terá que ser removido.
Tô passada: Brian passa por grandes, rápidas e inacreditáveis mudanças na última temporada. Só porque o seriado queria dar ao público o ''final que todo mundo queria ver''.
O que curte: Ativo, foi passivo uma única vez.


JUSTIN TAYLOR (RANDY HARRISON) 

Justin é a versão americana de Nathan. Ele tem 14 anos, já sabe que é gay, mas ainda é virgem. Justin resolve se arriscar na noite, começa a andar entre os gays da cidade e até consegue entrar na Babylon. Para ele, é um mundo novo. Mas ele se torna a ''transa do dia'' do famoso Brian Kinney. Sem saber a idade de Justin, Brian tira sua virgindade e logo depois descarta o garoto. Justin se apaixonou por Brian logo de cara e não vai desistir dele. Ele gruda como chiclete, nos amigos de Brian, na esperança de se aproximar mais de sua paixão. E assim, aos poucos, ele se torna parte da turma. A mãe de Justin descobre que o filho é gay e aí ele foge de casa. Brian não lhe dá abrigo, ele fica com Lindsay e com Melanie por um tempo e depois é acolhido por Debbie.

Arrasando: Justin não esconde sua homossexualidade na escola e consegue convencer Brian a ser seu parceiro de dança no baile de formatura.
Tô passada: Logo após o baile, Justin é atacado por um homofóbico. Ele leva uma temporada inteira para reaver suas habilidades motoras.
Poderosa: Quando consegue desenhar novamente, ele cria um super herói, com a ajuda de Michael, se baseando no Brian.
Se joga: Justin vive um intenso romance quando conhece um rapaz violinista.
Do bem: O ator Randy Harrison é assumidamente gay.
O que curte: Passivo, na grande maioria das vezes.



TED SCHMIDT (SCOTT LOWELL)

Ted é o cara mais pacato da série. Todo certinho, ele é apaixonado por Michael e esconde isso de todos. Ted é um contador que gosta de ópera, é romântico mas não consegue arrumar namorado, por isso tem também uma baixa auto estima. Desde o começo da série, vemos que Ted é viciado em pornografia na internet, depois de um tempo isso passa a ser um problemão para ele. E aí vem a depressão e as drogas e Ted chega ao fundo do poço. Foi se recuperando aos poucos com a ajuda de Emmett, eu estava torcendo pelo romance dos dois mas ... Ted foi baseado num personagem que está presente na série britânica, mas o tal cara morreu após consumir um tipo de droga, Ted foi parar no hospital mas sobreviveu.

Arrasando: Ted soube como ganhar dinheiro com seu vício em pornografia, ele criou um site com vídeos eróticos que se tornou um sucesso. 
Tô passada: Levou um bom tempo para que Ted abandonasse as drogas. A gota d'água veio quando ele ficou semi inconsciente numa festa e todos os caras tiraram proveito dele e gravaram seu estupro em vídeo. 
Se joga: Ted teve a oportunidade de viver como Brian por uma noite. Levou três caras para a cama, mas deu tudo errado.
Alôca: Scott Lowell foi o primeiro ator do elenco a fazer um nu frontal na série.
O que curte: Ted é flex.



EMMETT HONEYCUTT (PETER PAIGE)

No começo, esse personagem não era muito querido pelo público. Ele não teve uma recepção muito boa por ser um homocara afetado (eles existem, mas muita gente achou isso ofensivo, chamando Emmett de ''estereótipo''). Ele se tornou um personagem querido porque estava sempre presente na vida dos amigos, ajudando a todos, conseguiu dobrar até mesmo o insensível Brian Kinney. Emmett sempre se concentra no lado bom das coisas e das pessoas, é divertido e é um amigo fiel. Teve vários empregos diferentes no decorrer da série, foi até ator pornô no website de Ted. Ajudou Ted a largar as drogas e teve um caso com ele, os dois até moraram juntos por um tempo.

Arrasando: Até mesmo Ted, que já viu de tudo em matéria de pornografia, ficou de queixo caído ao ver a performance de Emmett em seu website.
Bofescândalo: Emmett namorou um famoso jogador de football chamado Drew. O cara fingia ser homofóbico na frente dos amigos e até arrumou uma noiva. Emmett pulou fora da relação ao ver que era impossível tirar Drew do armário.
Alôca: Emmett resolve se ''curar'' da homossexualidade e tenta levar uma vida de héterocara com uma ex-lésbica. A cena de sexo entre os dois é hilária.
Se joga: Emmett viveu uma bela história de amor quando conheceu um senhor de idade. A história não terminou muito bem e ele ainda teve que enfrentar a família do cara no tribunal.
Bafão: Peter Paige é outro ator homossexualmente assumido.
O que curte: Emmett é passivo, foi ativo uma única vez.


LINDSAY PETERSON (THEA GILL)

Lindsay veio de uma família rica, mas todos os seus familiares são homofóbicos. Vez ou outra, ela é obrigada a pedir dinheiro para os pais. Eles ajudam, mas não deixam de desprezar a filha, até a irmã de Lindsay é homofóbica. Lindsay é uma artista que está sempre em dificuldades, tanto criativas quanto financeiras. Foi professora de Artes e depois trabalhou numa galeria. Seu relacionamento com Melanie passou por altos e baixos, ela está sempre defendendo o amigo Brian, e Melanie não suporta o cara.

Melissinha: Lindsay chamou a atenção de um artista que se apaixonou por ela. Ela teve uma recaída e foi pra cama com ele.



 MELANIE MARCUS (MICHELLE CLUNIE)

Melanie é advogada, na verdade, ela é a advogada da turma. Sempre que um amigo está em apuros, ela oferece seus serviços. Melanie não gosta do Brian, e ele também não gosta muito dela, mas ela aceitou a sugestão de sua companheira de usar o sêmen do rapaz. E foi assim que Lindsay ficou grávida, Melanie por outro lado tem dificuldades para engravidar. O maior problema no relacionamento das duas é que Lindsay não costuma falar sobre seus sentimentos, isso irrita Melanie e a faz parecer a vilã da história. Ted é o amigo mais próximo de Melanie.

Motoqueira: O casamento das duas sempre foi caótico. Houve até traições, por parte de ambas. Passaram as duas últimas temporadas separadas e acharam que sexo a três poderia salvar a relação.


ALGUNS MOMENTOS MEMORÁVEIS DO SERIADO

- Brian e Justin, a primeira vez.
- Emmett descobre que Michael está solteiro novamente ao vê-lo no quarto com um homem qualquer.
- Justin e Brian em Nova York.
- Ben e Michael na cozinha.
- Justin e Brian fazendo amor no escritório.
- Justin dando uma mãozinha para um amigo na escola.
- Ted vai pra cama com um cara bonitão. Mas depois descobre que o cara só fez sexo com ele por pena.
- Na última temporada, Ted reencontra o sujeito e tenta se vingar.
- Michael e Ben fazendo amor ao som de ''over the rainbow''.
- Brian não consegue fazer sexo com Justin porque não para de pensar na cirurgia que fará em breve.
- Emmett e Drew destruindo um quarto de hotel.
- Brian pega um carinha na mesa de vidro do escritório.
- Justin encontra Brian fazendo sexo com um cara qualquer e fica só assistindo.
- Brian faz sexo com um cara em cima de uma máquina de xerox.
- Justin resolve bancar o ativo e o Brian topa a parada.
- Brian e Justin no chuveiro (várias vezes)

10 comentários:

Anônimo disse...

ai meu coração com esse post, ja deu saudade de ver novamente

Eduardo disse...

Vou ser honesto, não gostava da serie. Tem o lado bom por ser finalmente uma serie direcionada pra nós, mas passa uma versão bem estereotipada e no gueto. O único personagem que eu curtia era o Michael, mas ele foi ficando chato depois. Fizeram uma lesbica transar com um homem, o que foi algo bem imbecil pra os criadores da serie, duvido que fariam o Brian passar pelo mesmo.

A primeira temporada é a melhor e tem bons plots. Depois virou novelinha. Eu parei de assistir na quinta, de tão chato que tava.

O criador da serie vai lançar três novas series no inicio de 2015 no Canal 4 (Reino Unido). Cucumber se não me engano o nome. Espero que os clichês daquela época tenham passado.

Rafael Faria disse...

Não existe dvd/blu br ne?
Nem importado acho para comprar. :c

Arthur Beaverhousen disse...

importado existe

ah bacana , pena que tu mal falou da minha Lindsay predileta, afinal aqui é um blog gay, entendo. Mas, mesmo sendo gay - eu também - ela é a única que me identifico completamente na serie.

Anônimo disse...

Essa série é "cheesy", mas é gostosinha. :)

Anônimo disse...

Arthur a Lindsay também é minha predileta, junto com a Debbie, apesar de gostar de todos personagens.

Raul disse...

Ótimo post, parabéns!
Adorei a série e tenho completa em DVD. Meu favorito era mesmo o Ben, ainda umedeço quando o Robert Gant aparece aqui ou alí numa série que vejo...
ai, ai, ai!

Juan Pablo disse...

Tenho o Box completo da primeira temporada original que um amigo mandou pra mim dos States...
e tenho todos os outros episodios baixados da internet...
Queria o box completo original...
Amo este seriado!!!

Anselmo disse...

Acompanhando o filhote mais novo, porém não tenho parâmetros para comparar, o que pode até ser favorável para Looking.

Angelo Prata disse...

Assisti uns 2 episódios de Looking, mas ainda acho essa melhor. Quando tiver saco assisto o resto. Pois achei o início de Looking menos interessante.